Mensagem, não volume.
O que sustenta uma presença online não é a frequência: é a mensagem.
Fotografia: Geoff Charles / National Library of Wales.
Há uma pressão constante para manter presença nas redes sociais e nas restantes plataformas digitais — e preferir o ruído ao silêncio é o reflexo mais comum a essa pressão. O padrão repete-se: é mais fácil preencher a grelha de publicações com conteúdos vagos do que enfrentar a pergunta sobre se há, de facto, algo a comunicar e, se sim, o quê, como, quando e para quem.
Não é a fotografia publicada, nem a tentativa de manter presença constante nessas plataformas, que falha. É que, ao fim de meses de presença pontual e previsível nas redes, não se consegue dizer o que aquela organização pensa. Apareceu nos dias combinados. Mas não disse uma coisa que fosse só sua — apresentou generalidades.
E a explicação não está na falta de disciplina — está no excesso dela sem intenção por trás. O problema não é a cadência de publicações: é a ilusão de que a cadência substitui a mensagem. É quando o calendário editorial passa de estrutura a obrigação cega, e publica-se não porque há algo novo e valioso para dizer, mas porque o dia chegou e a grelha não pode ficar em branco.
Vale a pena desmontar a ideia simplificada sobre o que estas plataformas realmente fazem.
Raramente é numa rede social que se decide um financiamento, uma parceria, um convite. Isso continua a acontecer, sobretudo, noutros lugares. Mas bem utilizada, a rede social tem um papel próprio — e não é despiciendo.
O que ela faz, sobretudo, é confirmar a expetativa prévia — e, por vezes, despertar a curiosidade inicial. Quem ouve falar de uma organização vai procurá-la online. O que a pessoa encontra nessa pesquisa decide se a ideia vaga se transforma em interesse real ou se evapora. Nem sempre é a rede que converte. É frequentemente ela que valida quem já estava a caminho.
Se a função é sobretudo confirmar, a quantidade sem critério ajuda pouco. Dez publicações cumpridas à regra mas sem conteúdo dizem, no fim, o mesmo que nenhuma.
Não ter presença é também um posicionamento. Há organizações que se sustentam inteiramente fora destas plataformas: o relatório anual, a newsletter dirigida a quem já as conhece, o encontro presencial, a carta assinada. Family offices em que as relações que importam nunca se constroem num feed. Institutos científicos que publicam em revistas, não em redes sociais.
Como é que se constrói, então, uma presença que prefere a relevância à repetição? Não faltam exemplos. Bastam dois para se perceber a lógica.
A Quanta Magazine, financiada pela Simons Foundation, não compete pela frequência: compete pelo cuidado. Cada artigo tem ilustração feita por medida, pensada para explicar a ciência, não para preencher espaço. É por isso que é lida, citada e premiada. A Patagonia segue a mesma lógica do lado da marca: em vez de multiplicar campanhas para manter a roda a girar, lançou uma única — "Don't Buy This Jacket" — que ainda hoje se estuda e cita como exemplo de alinhamento com o seu propósito ambiental.
O que não é posicionamento nenhum é a terceira via: estar presente sem ter decidido estar, alimentando uma máquina apenas porque se convencionou que "é preciso publicar".
A pergunta que se deve fazer antes de definir qualquer calendário não é sobre quantas vezes por semana se deve aparecer. É sobre saber o que a organização é e onde quer estar daqui a alguns anos. Só com essa resposta cada publicação pode ser testada contra isso: aproxima-nos dessa posição, ou é só ruído a preencher espaço? A pergunta "vale a pena publicar isto?" só tem resposta se houver um "para onde" contra o qual medir.
Com essa resposta, a cadência ganha sentido. Publicar passa a ser um compromisso de coerência: encontrar o que a organização tem de verdadeiro e relevante para dizer, e criar o ritmo certo para que essa matéria real chegue a quem precisa de a conhecer.
Quem não tem a paciência de procurar acrescenta ornamento e quantidade. E o excesso de quantidade é quase sempre sinal de que faltou matéria — nunca de que sobrou disciplina.
No fim, ninguém se lembra de quantas vezes uma organização apareceu. Lembra-se do que ela disse.