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Clareza em primeiro lugar.

A organização que não sabe o que é não consegue comunicar o que faz.

Saarinen, U.A. (1960) — National Board of Antiquities — JOKA Journalistic Photo Archive, UA Saarinen Collection
Saarinen, U.A. (1960) — National Board of Antiquities — JOKA Journalistic Photo Archive, UA Saarinen Collection

Há uma tendência para preferir o cansaço à clareza. Ficar exausto dá a sensação imediata de trabalho feito. Parar para pensar e decidir quem se é exige confrontar dúvidas e divergências que quase ninguém quer enfrentar.

Estar sempre ocupado serve de esconderijo: enquanto a equipa estiver afogada em tarefas do dia a dia, reuniões de alinhamento, reformulações de calendário, campanhas lançadas à pressa ou relatórios de métricas que ninguém sabe bem como interpretar, ninguém tem tempo para fazer as perguntas difíceis. O movimento contínuo produz uma ilusão eficaz de utilidade — enquanto a casa estiver a correr, ninguém é obrigado a perguntar para onde se vai.

É mais fácil aprovar um plano de comunicação para o mês seguinte do que ter a conversa desconfortável sobre por que razão essa mensagem haveria de importar a alguém.

Produzir ruído consome exactamente a mesma energia que construir substância — e, a longo prazo, desgasta muito mais.

É possível estar a fazer tudo certo por dentro sem que isso tenha o mínimo valor para quem está do outro lado. Nem tudo o que se mede tem importância, nem tudo o que se repete merece ser preservado. Às vezes, o que parece essencial é apenas antigo — e preservar demasiado é também uma forma de desperdício.

O trabalho mais difícil não é aprender a falar mais alto. É parar até perceber o que se tem, de facto, para dizer. E depois assumir isso — com tudo o que se perde quando se decide.